Síndrome de burnout entra para CID-11 como doença ocupacional
Com o início da vigência da 11ª revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, ou CID-11, em 1º de janeiro de 2022, a síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional ou apenas burnout, passou a ser reconhecida como doença ocupacional. No Brasil o CID 10 ainda continua sendo usado e aguarda-se sua remoção definitiva para berve
O compêndio CID 11 foi lançado em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e revisado até se consolidar na versão agora válida. A versão anterior, CID-10, datava de maio de 1990. A edição atual inclui capítulos sobre medicina tradicional, saúde sexual, distúrbio de games, entre outros acréscimos.
Na nova classificação, a síndrome de burnout aparece na seção problemas relacionados com o emprego ou o desemprego, onde é definida como: “síndrome concebida como resultante do estresse crônico no contexto laboral que não foi efetivamente administrado. Caracteriza-se por três dimensões: 1) sensação de exaustão ou esgotamento de energia; 2) maior distanciamento mental da atividade laboral ou negativismo ou cinismo em relação ao trabalho; e 3) sensação de ineficácia e falta de realização. O termo burnout “refere-se especificamente a fenômenos no contexto ocupacional e não deve ser usado para descrever experiências em outras áreas da vida.”
O compêndio também lista diagnósticos diferenciais: transtorno de ajuste (6B43), distúrbios especificamente associados ao estresse (6B40-6B4Z), transtornos relacionados à ansiedade ou medo (6B00-6B0Z) e do humor (6A60-6A8Z).
O que muda e como reconhecer o burnout?
Até o final de 2021, o código da síndrome do esgotamento profissional na CID-10 era Z73. Agora, passa a ser QD85 na CID-11. Além disso, segundo a Dra. Alexandrina Meleiro, psiquiatra e vice-coordenadora da Comissão de Atenção à Saúde Mental do Médico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), “na CID-10 estava descrito esgotamento profissional. A palavra burnout não constava. Agora foi usado o termo síndrome de burnout e, entre parênteses, está o termo esgotamento profissional”.
Mas como reconhecer o burnout? “Todo médico, independente da especialidade, precisa perguntar sobre o trabalho. Não é o hábito, mas os médicos de todas as especialidades precisam fazer essas perguntas (…) você vai a um cardiologista, pneumologista ou alergista, e ninguém pergunta sobre o trabalho, assim como raramente perguntam sobre a vida sexual. Mas, às vezes, o problema cardíaco, a pressão alta, o colesterol, a glicemia, a alergia… podem ser decorrentes do trabalho. O burnout não pega só o lado emocional, pega também o lado físico, podendo resultar em aumento da pressão arterial, infarto, labirintite, doenças reumáticas, porque é uma doença crônica ligada ao trabalho”, disse a psiquiatra ao Medscape.
Dr. Everson Alberge Buchi